O que é a infertilidade

Mas afinal o que é a infertilidade?

Depois de ter navegado pelas páginas da Associação Portuguesa de fertilidade, do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida e da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, deixo-vos aqui um resumo do que define a infertilidade, os riscos e causas Femininas e Masculinas.

A OMS define infertilidade como:

“uma doença do sistema reprodutivo traduzida na incapacidade de obter uma gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares e sem uso de contracepção”

A infertilidade não se resume apenas na dificuldade em conceber, mas também em levar a bom termo a gravidez. Isto porque também se considera infértil o casal que apresenta abortos de repetição (a partir de três consecutivos).

As causas de infertilidade são múltiplas e podem, ou não, estar associadas a anomalias do sistema reprodutor masculino ou feminino. A infertilidade é o resultado de uma falência orgânica devida à disfunção dos órgãos reprodutores, dos gâmetas ou do conceto. A investigação deve desenvolver‐se de forma faseada e abranger simultaneamente os dois elementos do casal, uma vez que em cerca de 30% dos casos, ambos contribuem para o problema.Em Portugal, recomenda-se a procura de um especialista em PMA (Procriação medicamente assistida) após 1 ano sem alcançar a gravidez desejada em mulheres com idade inferior a 35 anos e 6 meses, em mulheres com idade superior a 35 anos.

A prevalência da infertilidade conjugal é de 15-20% na população em idade reprodutiva. De acordo com os últimos dados disponíveis, em 2016 o número de crianças originadas em tratamentos com PMA representou cerca de 3% do total de crianças nascidas em Portugal (Informação do CNPMA)

Em aproximadamente 20-30% das situações, a causa de infertilidade é um problema do homem – há poucos espermatozoides ou eles não têm as características adequadas. Noutros 30-40% dos casos, o problema é da mulher (o mais frequente é haver perturbações da ovulação, mas a obstrução das trompas é também uma situação relativamente comum). Em cerce de 30% dos casais inférteis ambos os cônjuges contribuem, em maior ou menor grau para o problema. Em 5% a 10% dos casais não se detecta qualquer razão aparente para a infertilidade, que então se designa por infertilidade inexplicada ou de causa desconhecida. (informação da Sociedade Portuguesa de Procriação Medicamente Assistida).

Há vários factores de risco e já partilhei convosco noutros artigos que há varias coisas que podemos alterar no nosso dia, que podem fazer a diferença.

O sentimento de culpa é comum, mas não deve existir! Procurar apoio psicológico é uma opção sempre a ponderar.

Os Factores de Risco mais conhecidos são: doenças que afectam o aparelho reprodutor; Endometriose; Infecções sexualmente transmissíveis, Idade, doenças genéticas, doenças endócrinas, doenças do sistema imunitário, quimioterapia, entre outros …

As causas masculinas mais comuns são:

  • Diminuição do número de espermatozoides – Em condições normais, um homem produz mais de 100 milhões de espermatozoides em cada ejaculação. Embora seja necessário apenas um espermatozoide para fertilizar o óvulo, a “viagem” até atingir o óvulo é tão extraordinariamente difícil, que a esmagadora maioria dos espermatozoides se perde ou morre no trajeto. Por isso, se um homem produz menos de 20 milhões de espermatozoides no ejaculado, a sua fertilidade está significativamente reduzida e a probabilidade de ocorrer uma gravidez é bastante menor. As razões porque tantos homens têm um número diminuído de espermatozoides não são conhecidas, mas poderão estar implicados factores genéticos, hormonais, ambientais e alimentares. Chama-se oligospermia (ou oligozoospermia) à diminuição acentuada dos espermatozoides.
  • Espermatozoides com mobilidade reduzida – É uma situação também muito comum. A baixa mobilidade está muitas vezes associada à diminuição da concentração de espermatozoides. No esperma normal, pelo menos 50% dos espermatozoides devem mover-se de forma adequada. Abaixo desse limite, diz-se que o homem tem astenospermia ou astenozoospermia.
  • Espermatozoides com configuração anormal – Considera-se normal o esperma que contém mais de 15% de espermatozoides morfologicamente normais. Se essa percentagem é menor que 15%, diz-se existir teratospermia ou teratozoospermia. Em situações de teratospermia grave, só a microinjeção intracitoplasmática (ICSI) oferece possibilidades de êxito significativas.
  • Ausência de espermatozoides – Em alguns homens, o ejaculado não contém espermatozoides. Esta situação designa-se por azoospermia e significa que os testículos não produzem espermatozoides ou, então, que estão obstruídos os canais que conduzem os espermatozoides para o exterior dos testículos.

Em situações raras, é possível restaurar a permeabilidade desses canais, recorrendo a técnicas cirúrgicas com utilização de microscópios especiais. Se essa alternativa não for adequada, é possível tentar recolher os espermatozoides diretamente do testículo (biopsia testicular) e utilizá-los para efectuar microinjeção – ICSI.

Se não há produção de espermatozoides pelos testículos (situação que se confirma após a biópsia do testícular) e não se trata de uma das raras situações de causa hormonal, não existem formas de corrigir a situação. Como opção possível nesses casos, há que ter em conta, quando tal é exequível, a inseminação com esperma de dador.

As causas Femininas mais comuns são:

  • Falência da ovulação – Pelo menos 20-25% dos casos de infertilidade feminina são causados por falência da ovulação tendo, como sintoma, menstruações irregulares ou mesmo ausentes.A ausência de ovulação pode estar associada a peso excessivo ou emagrecimento excessivo. Há numerosas causas para a falência da ovulação, incluindo secreção reduzida de hormonas pela hipófise (uma glândula na base do cérebro), existência de ovários poliquísticos ou falência de ovários. Geralmente o tratamento com medicamentos é muito eficaz, havendo 60-70% de casais a conseguir a desejada gravidez. Há casos especiais em que poderá ser adequada uma actuação cirúrgica sobre os ovários, ou recorrer a Fertilização in vitro (FIV).
  • Falencia Ovárica – As mulheres nascem com cerca de 2 milhões de óvulos. Com a idade essa reserva vai diminuindo, 30% dos casos de infertilidade feminina devem-se à diminuição precoce da reserva ovárica.
  • Menopausa Prematura – considera-se menopausa prematura, quando ocorre antes dos 40 anos. Existe um conjunto distinto de preocupações físicas e emocionais quando os ovários de uma mulher se tornam insuficientes numa idade jovem. A infertilidade é uma das grandes preocupações.
  • Obstrução das trompas – É uma causa responsável por cerca de 30% dos casos de infertilidade feminina. Raramente há sintomas que indiquem a obstrução tubária, embora por vezes exista no passado uma história sugestiva de infeções dos órgãos pélvicos.Por vezes as trompas não estão completamente obstruídas, mas estão fixadas ou aderentes, em posições que impedem a sua função de captação do óvulo libertado pelo ovário. Consegue-se confirmar a obstrução através de um exame chamado Histerossalpingografia. A obstrução das trompas, parcial ou completa é habitualmente causada por infeções que podem ser associadas a bactérias muito diversas. Em algumas situações pode ser indicado tratamento cirúrgico e, noutras, poderá haver indicação para Fertilização in vitro (FIV).
  • Doenças do útero Em cerca de 5% das mulheres, a infertilidade está associada a doenças do útero. Fibromiomas uterinos, anomalias congénitas na configuração do útero e alterações na sua cavidade interna, podem ser consideradas causa de infertilidade. Pode não haver queixas associadas a estas doenças ou, pelo contrário, haver menstruações abundantes e dolorosas. Se há lesões importantes da cavidade uterina, as menstruações podem ser reduzidas ou inexistentes. A terapêutica é cirúrgica, utilizando-se a técnica mais adequada para cada situação.
  • Muco cervical desfavorável – Por vezes, o muco produzido pelo útero nos dias que antecedem a ovulação é muito espesso e não do tipo “clara de ovo”, como é normal. Os espermatozóides não conseguem então entrar no útero. Em casos raros, o muco contém anticorpos que imobilizam os espermatozóides. O tratamento é, habitualmente, inseminação intra-uterina (IIU) ou, em casos mais graves, Fertilização in vitro (FIV).
  • Endometriose – Por vezes, o tecido que cobre o interior do útero desenvolve-se também externamente e implanta-se na cavidade abdominal, sobretudo na pelve e nos ovários. Esta circunstância pode associar-se a menstruações especialmente dolorosas e, se o processo cicatricial é muito extenso, pode ser causa de infertilidade. O tratamento é habitualmente cirúrgico, embora ocasionalmente se possa recorrer a certos medicamentos na redução das queixas. Nestes casos, a Fertilização in vitro (FIV) poderá ser uma alternativa eficaz para conseguir a gravidez.
  • Abortos de repetição – Algumas mulheres não têm propriamente dificuldades em engravidar, mas abortam sistematicamente. Esta situação, infelizmente não muito rara, poderá ser devida a alterações hormonais ou a malformações congénitas do útero. Há também um grande número de casos de defeitos nos embriões; nesta situação, não há ainda tratamento, embora haja algumas técnicas promissoras em investigação.

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Chamam-me Fada, ou Encantadora de Bebés! Mas na verdade sou Mãe, Mulher e Enfermeira. 

Sou uma Mulher madura, com formação na área da Saúde (enfermeira), sempre trabalhei no meio hospitalar e em paralelo desenvolvi um projecto pioneiro em Portugal chamado Kuantos Meses (Serviços pré e pós-parto).

Sou mãe de dois filhos, a Joana com 20 anos e o André com 16 anos. Com o crescimento deles surgiram novos interesses, como por exemplo o desporto e a fotografia. Associado ao desporto, uma alimentação saudável e um estilo de vida novo. Recentemente foi-me diagnosticada uma doença Auto-imune – Miastenia Gravis. Uma doença desconhecida para muitos e com a qual eu ainda estou aprender a viver. Sempre fui muito activa e sempre encarei os obstáculos como oportunidades para realizar novos projectos – Agora chegou o momento de fazer nascer o BLOG 

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