Porque o colo é um direito de todos os bebés

Ontem fiz um live no Instagram sobre o Babywearing. Tiveram oportunidade de ver?

Este vai ser o primeiro de vários artigos que irei publicar sobre o Babywearing, com o mote – O Colo é um direito de todos os bebés!

O Babywearing é uma técnica, usada há mais de dois séculos, que foi entrando em desuso com a industrialização, e que gradualmente tem sido substituído pelo uso do carrinho. Embora se comece a ver mais, novamente.

Afinal o que é o babywearing?

Não é mais do que uma técnica de trazer o bebé ao colo, com o apoio de um acessório (Pano, porta bebés, sling… ) permitindo um maior contacto entre mãe e o bebé. Esta técnica permite a mãe ter os braços livres, ficando mais disponível para realizar as suas tarefas diárias.

Vários pediatras e pesquisadores na área infantil, relatam os benefícios do Babywearing nos primeiros tempos de vida. Criar um ambiente parecido ao que o bebé, tinha no útero materno é para mim uma referência, sempre que falo do Babywearing. Durante nove meses, o bebé esteve num ambiente intra-uterino, aconchegado, aninhado, em posição fetal  e sempre acompanhado com os barulhos do organismo da sua mãe (batimento cardíaco e ruídos intestinais).  De um momento para o outro, após o parto, é colocado num berço, numa posição horizontal, longe do calor da mãe e na maioria das vezes num ambiente silencioso. É uma grande mudança, e a maioria dos bebés não reage bem a ela! Voltar a ter o bebé junto à mãe, ao colo, é a solução.

Sabe-se que bebés, que andam mais tempo ao colo, são bebés mais tranquilos, menos agitados e que choram menos. Em algumas culturas indígenas onde transportar o bebé ao colo (Babywearing) é comum, os bebés choram normalmente alguns minutos por dia, ao contrário dos bebés ocidentais que chegam a chorar horas por dia. Chorar em demasia pode prejudicar o desenvolvimento mental do bebé, devido à quantidade de hormonas de stress que inunda o cérebro do bebé.

Lá se vai a teoria das avós que chorar faz bem ao bebé!

No caso dos bebés que tenham necessidade de mais atenção (high needs), estes beneficiam com o sentimento de segurança que um sling/pano/porta bebés lhe oferece.
Levar o recém-nascido a uma experiência semelhante à que viveu durante nove meses no útero materno permite que se sinta seguro, reduzindo assim o choro. Os bebés ao andarem ao colo, tem a oportunidade de aprender e assimilar o mundo de uma forma mais fácil e gradual. Acabam por participarem de uma forma activa no dia-a-dia dos seus pais. Eles vêem o mundo na mesma linha de quem o carrega, muito diferente da perspectiva baixa que um carrinho oferece. As outras pessoas mais facilmente mantêm o contacto ocular com o bebé e falam com ele. Quando a mãe/pai ou quem transporta o bebé se movimenta, todos os movimentos, como caminhar, inclinar, alcançar, são sentidos e vivenciados pelo corpo do bebé. Este usa os músculos em desenvolvimento para se agarrar, virar a cabeça ou alinhar o corpo em determinada posição. Esta estimulação vai ajudar no desenvolvimento natural do sistema vestibular que controla o equilíbrio e os mecanismos neuro-musculares do bebé. Os mecanismos artificiais para balançar os bebés não produzem os mesmos benefícios. Como os bebés que são transportados ao colo choram menos, têm a oportunidade de gastar a sua energia desenvolvendo-se mais rapidamente seja ao nível do desenvolvimento motor, cognitivo e também social.

Nem sempre estamos preparados para carregar um bebé, durante muito tempo ao colo, especialmente quando ele começa a ganhar peso, e  acabamos por substituir o colo pelo carrinho. Ou pelo contrário somos tão fãs que qualquer “paninho” serve para colocar o bebé ao colo. Para terminar reforço que o bom senso é a chave do sucesso. Não somos todos iguais, criticar ou apontar o dedo não é a solução. A mim cabe-me transmitir-vos informações válidas, para que possam decidir a solução a melhor solução para todos.

Foto Instagram: @marianapatrocinio_

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Chamam-me Fada, ou Encantadora de Bebés! Mas na verdade sou Mãe, Mulher e Enfermeira. 

Sou uma Mulher madura, com formação na área da Saúde (enfermeira), sempre trabalhei no meio hospitalar e em paralelo desenvolvi um projecto pioneiro em Portugal chamado Kuantos Meses (Serviços pré e pós-parto).

Sou mãe de dois filhos, a Joana com 20 anos e o André com 16 anos. Com o crescimento deles surgiram novos interesses, como por exemplo o desporto e a fotografia. Associado ao desporto, uma alimentação saudável e um estilo de vida novo. Recentemente foi-me diagnosticada uma doença Auto-imune – Miastenia Gravis. Uma doença desconhecida para muitos e com a qual eu ainda estou aprender a viver. Sempre fui muito activa e sempre encarei os obstáculos como oportunidades para realizar novos projectos – Agora chegou o momento de fazer nascer o BLOG 

Femme

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