Este é um tema polémico, na verdade como não estou no activo, provavelmente não tenho os mesmos conhecimentos, de quem está na linha da frente e lida diariamente com este vírus.
Já há alguns anos atrás escrevi sobre o tema, para a revista pais e filhos, sobre a minha opinião da presença e a importância do pai na sala de partos. Nessa altura, porque ainda haviam algumas maternidades que não permitiam a entrada do pai na sala de partos.
Neste momento, escrevo novamente sobre o tema, porque devido à Pandemia COVID 19 o pai foi afastado novamente da sala de partos. Actualmente a minha opinião é mesmo e só, baseada naquilo que tenho lido. Confesso-vos que me tem feito uma grande confusão e tenho tido alguma dificuldade em compreender o porquê deste afastamento dos pais das salas de parto.
Mais confusa fiquei de pois de ter lido as orientações que a DGS publicou ontem sobre gravidez e parto. Onde se lê : “A presença de acompanhante poderá ser permitida apenas se a instituição considerar que tem asseguradas todas as condições de segurança para evitar o contágio”. Mas isto é nos casos de grávidas com infecção COVID-19. Se estou a interpretar bem as indicações da norma, não há referência nenhuma, que o pai não possa estar presente, nas situações normais.
Na minha opinião, caso seja vontade do casal, o pai deveria continuar a estar presente, na sala de partos e assistir a provavelmente a um dos melhores momentos da sua vida!
Caso a caso, dentro do bom senso dos profissionais, se os riscos forem maiores que o do benefício do pai estar presente, então nesses casos o pai seria aconselhado a não estar presente. Até porque ha pais que não fazem muita questão, ou mães que também lidam bem com este afastamento. Mas também sei, que há pais e mães que sempre sonharam com este momento juntos, e que para alguns, vai ser a última oportunidade de isso acontecer.
Habitualmente, nas maternidades privadas (que é onde tenho mais experiência) o pai antes de entrar para a sala de partos é equipado com um fato descartável, umas botas de protecção de calçado, uma touca no cabelo e uma máscara facial. Neste momento de COVID-19, o pai deveria manter este equipamento de protecção, lavar as mãos antes de entrar no bloco, sob supervisão e assim penso que o risco de contagio será reduzido.
Outras indicações na norma, que vos deixo aqui para consultarem, também me deixaram dúvidas, como o contacto pele a pele entre a mãe e o bebé estar desaconselhado, a separação mãe-filho nos casos de mães COVID-19 e a recomendação da extração do leite com bomba e o seu desperdício até a mãe ter dois testes negativos. Ora se a OMS, UNICEF e International Lactation Consultant Association defendem que a amamentação deve manter-se, o porquê e em que base e dados estão a ser tomadas estas medidas?
Hoje não vim esclarecer-vos dúvidas, vim partilhar convosco as minhas!

Imagens: Instagram @albanyjalvarez_fotografia